Este texto busca apenas relatar pontos que estão
sendo estudados nesse assunto com o objetivo de permutar conhecimentos, dúvidas
ou indagações a respeito do trabalho sonoro da voz trabalho e criado pelo ator.
Sabemos que todo o individuo tem uma produção sonora
que pode ser usada e fossilizada com o
tempo, ou mesmo nunca experimentada.
Para que ele se torne presente algumas indagações
devem ser feitas e analisadas:
O trabalho do grupo ou do ator com o projeto
arquitetônico do(s) personagens ou personas
está levando em consideração as preposições colocadas pela voz e suas peculiaridades?
Como a voz influenciará nas partituras cênicas ou
protótipos apresentados?
As relações entre arte e psicofísica e suas conexões
com a imagem corporal, considerando aqui a voz, como invisibilidade x
materialidade no espaço serão refletidas na autoimagem corporal do performer?
Em que ponto está a sabedoria do ator em relação a sua voz/corpo sonoro, catalogação corporal,
o que se estratificou, o que se envelheceu, o que está imberbe?
O arquivo da memória do ator leva em conta modelos
posturais, o quanto estão adequados?
Existe ausência de percepção, sem tônus
muscular, eixo corporal desequilibrado,
gravidade, enraizamento?
Como estão sendo investigados os binômios voz e
corpo?
Análise de aspectos interligados dos pés como sustentação e área plantar no
espaço, desajustes e tensões musculares,
cansaço generalizado, e falta de
coordenação motora, a estrutura dos arcos, joelhos e finalmente as pregas
vocais, lei da alavanca e da gravidade etc.
Essas observações
foram tomadas de empréstimo do livro ‘’Estética da voz: uma voz para o
ator’’ de Eudósia Acuña Quinteiro.
No teatro é importante aflorar ou descobrir como
fazer com que essa maquinaria de sons flua. O ator-pesquisador deve acionar a
clave do que chamo sistemas de
abordagem, que podem ser:
Abordagem física e pré-expressiva;
Abordagem expressiva e mapeada
Abordagem de sufocamento e de body jump
A abordagem pré-expressiva física seriam exercícios
ou dinâmicas que fortaleçam o aparato vocal do ator buscando, descobrindo suas
forças e fragilidades dinamizando sua produção sonora sem preposições melódicas
ou dialógicas claras como método inicialmente.
A expressiva seria a que tem a música como guia e
seus recursos: canções, fragmentos de
escalas, intervalos, ou tons ou semitons
e tendo com a voz como corpo flutuando pelos seus órgãos e sentidos, ou com
velocidade acelerada e com a leveza e a força do orvalho em flor, ou de uma
borboleta batendo asas no caos do Niágara.
A abordagem do sufocamento seria testar os limites
performáticos da voz do ator quase a ‘’exasperação’’ tendo as fases acima como
força rizomática acelerada.
Em todas elas pode ser necessária a presença de um
profissional da voz especializado como um fonoaudiólogo com conhecimentos em terapêutica vocal como parceiro na mensuração e
resultantes alcançadas em cada momento.
A investigação que estabeleça quando uma começa ou
outra termina pode ser um caminho a ser percorrido pelo preparador no como saber dosar o quando,
com quem e o como começar essa taquigrafia sonora, mais veloz ou mais breve com saltos ou recuos para
avançar no trabalho coletivo.
Cabe atentar para o que diz Luiz Augusto de Paula Souza
na apresentação do livro de Lucia Helena Gayoto, (Voz: partitura da ação, 1997)
que menciona que ‘’a voz é sempre outra,
isto é uma emissão vocal- articulada ou não-
pode ser repetida mas nunca de modo idêntica, ela traz marcas -mesmo que
sutis- da singularidade de cada situação e experiência’’.
Assim menos
em ‘fórmulas mágicas’ e mais observações
empíricas se sustenta o trabalho dessa voz-corpo, pois para Eudosia Acuña
Quinteiro, ‘’a ausência de percepção ou
de contato com o próprio corpo torna difícil a
identificação com os demais corpos, pois ainda ‘’voz e fala são
resultantes de toda uma individualidade’’, o que impacta nessa descoberta entre
os entes e sua sabedoria sonora, e o que as sensações dos rizomas evocam e
influem na percepção sonora e espacial, como reagir a essas intervenções
sonoras de fontes artificias ou não e como a voz do performer cria ação com
elas.
Referências
bibliográficas:
GAYOTO, Lucia Helena. Voz partitura da ação. São Paulo: Summus, 1997. 119 p.
QUINTEIRO, Eudosia
Acuña. Estética da voz: uma voz para o
ator. Summus, 1989. 132 p.
Obs:
caso tenha gostado desse texto experimental use-o mas cite a fonte, obrigado!

Comentários
Postar um comentário